terça-feira, 24 de agosto de 2010
SOCIEDADE
SOCIEDADE LIBERTÁRIA: um espaço propício à violência
Seguindo o raciocínio que orienta este espaço, teceremos algumas breves considerações a respeito da violência em nossa sociedade, bem como, sobre suas causas. Trata-se de uma abordagem inicial.
Somos guiados na vida democrática-capitalista por uma lógica desastrosa do ponto de vista racional epistemológico: as premissas que norteiam o pensamento de psicólogos, sociólogos, legisladores e estudiosos “modernizantes” nascem sob o pretexto político-econômico inquebrantável, das “liberdades individuais”, dos “direitos humanos”, da “livre concorrência” e do “mérito”: uma tentação apaixonante, a qual, na prática, tem sido um desastre.
Explico: são conceitos distorcidos e/ou metamorfoseados para adequar-se ao que realmente é FUNDAMENTAL para classes e indivíduos que lutam permanentemente por HEGEMONIA, esta sim é a baliza de cada um, salvo as exceções.
Basta ligar a tv para assistir alguém defendendo as liberdades individuais e coletivas; os direitos dos bandidos e dos corruptos; os direitos das crianças; a condenação dos pais que puxam a orelha dos filhos, dos professores “mal qualificados” para educar, etc., etc. Formulações apriorísticas que provocam grande estragos na sociedade!
Os atrativos dos termos LIBERDADE, DIREITOS, COMPETIÇÃO E MÉRITO obnubilam a razão e, na proporção em que se alargam, diminuem os conceitos de COLETIVIDADE, RESPONSABILIDADE, PARTICIPAÇÃO E IGUALDADE.
Desde a infância somos doutrinados para vencer. Só assim seremos respeitados! E isto significa que somos educados para excluir. Quase nada, ou pouco nos preocupamos com os excluídos: afinal a culpa é deles mesmo! E sem eles não haveria privilégios!
A partir daí, o “pretenso humanismo” e licitude das estratégias e meios para alcançar os objetivos DETERMINANTES só encontram limites no caráter de cada um, formado em famílias que “transgridem” ou não os códigos de “boa conduta dos pais”.
De fato, para a maioria dos pais isto veio a calhar: é melhor não assumir sua condição hierárquica e seguir as orientações permissivistas de “especialistas” e falastrões sem compromisso com a perpetuação da espécie humana: Apologetas do mundo selvagem!
Dois fatos nos espantam ainda mais: primeiro, os mesmos indivíduos que defendem “adolescentes, jovens infratores e criminosos” são, em grande parte, os mesmos que se ausentam de suas responsabilidades de educar e oferecer oportunidades à vida digna de seus filhos. Às vezes são de famílias desestruturadas. Depois reclamam da violência que eles próprios ajudaram a instalar; segundo, o Estado que combate precariamente a violência é o mesmo Estado que abriga ilicitudes em seu interior e não oferece condições de educação formal e oportunidades à juventude, assim perde a autoridade para propor penalidades mais duras aos criminosos, inclusive juvenis.
Resumindo: talvez a ausência dos pais pelas necessidades imperiosas de trabalhar para sobreviver e/ou obter sucesso, seja o vazio necessário à criação de muitos viciados em drogas, traficantes, ladrões e assassinos. Por sua vez, o Estado incapaz e/ou sem vontade política para investir de fato em educação e promoção social, prefira alardear mais que promover a prevenção e repressão à marginalia. Porém, está comprovado que medidas isoladas nunca resolverão uma questão que, absurdamente, difunde-se na cultura da democracia capitalista.
Enfim, a sociedade libertária-meritocrática que progride a passos largos nos campos da ciência, da tecnologia, do saber e da informação, continua reforçando as teorias “darwinianas” de seletividade das espécies biológicas.
Falamos de uma sociedade que caminha sem direção e, desse modo, não poderá re-encontrar os valores de uma vida gregária inteligente, responsável e menos violenta: de fato, esse sentimento não combina com os pressupostos de vencer, alcançar poder e notoriedade...custe o que custar!
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