racionalidade e epistemologia

segunda-feira, 23 de maio de 2011

ISRAEL NÃO DESEJA A PAZ: Será Obama oportunista?

Antes mesmo de Barack Obama mencionar em discurso que o Estado da Palestina deveria ser criado com base nas fronteiras anteriores à "guerra dos seis dias", as autoridades israelenses já criticavam a fala. O fato é que, de um lado, essa pretensa nova postura dos EUA não condiz com a maneira como eles têm lidado com a questão ao longo do tempo e, de outro, é notório que os israelenses não têm nenhum interesse em facilitar a criação de um Estado Palestino, haja vista sua imensa supremacia econômico-militar na região. Mudar de posição por quê? À luz da racionalidade utilitarista, a permanência do conflito entre judeus e muçulmanos é mesmo altamente interessante para judeus e norte-americanos, sob vários aspectos. A realidade factual "justifica" e autoriza (a pretexto)Israel produzir armamento e utilizar "para se defender" na prática; justifica também o apoio dos EUA, que assim podem sustentar a velha "parceria" belicista na defesa de seus interesses comerciais na região. Trata-se pois, de uma troca "justa". Levando-se em consideração o período pré-eleitoral nos EUA e os movimentos de rebeldia popular no norte da África e no oriente médio, onde os interesses comerciais e políticos do ocidente são enormes, devemos observar com cautela o discurso de Obama e a sinceridade de suas palavras. Enfim, se o bom-senso e o respeito aos postulados e decisões das Nações continuarem sendo distorcidos para acomodar interesses ocasionais; se o ocidente sucumbir frente ao endurecimento israelense, que não pretende devolver os territórios árabes-palestinos, não restará dúvida sobre essa nova "panacéia" diplomática; não restará dúvida sobre a hipocrisia ocidental imperante. Será Obama oportunista?