racionalidade e epistemologia

sexta-feira, 18 de março de 2011

OBAMA NO BRASIL: o renascimento da subserviêcia?

A visita do Presidente dos EUA ao Brasil é eivada de indagações sobre suas finalidades subliminares. Evidentemente, depois de oito anos de Governo Lula, onde as relações bilaterais entre os dois países perderam consistência em prejuízo dos interesses de "tio sam", a Sr.a Dilma Roussef deu-lhes a esperança para o reinício de conversações que lhes sejam mais interessantes. Dilma Roussef resolveu mesmo a fazer o contrário de tudo aquilo que que seu "ex-chefe político" ensinou. Ao deslocar o eixo de nossas transações comerciais com os EUA (mais de 50%, reduzidas para menos de 30%), Lula criou uma situação ruim para eles. Na prática, isso significou não apenas a perda de negócios mas, sobretudo, a perda de capacidade para influenciar nossas políticas interna e externa: engoliram tudo isso com dificuldade. Mas para o Brasil, as estratégias do governo Lula melhoraram em muito nossas condições para enfrentar as barreiras comerciais e as crises geradas pelas economias de ponta. Mas,mesmo não gostando da independência com que o Brasil administrou essas e outras questões, os EUA tiveram que reconhecer publicamente a sensatez e o caráter pacifista de Lula no trato dos conflitos internacionais, ainda que o cutucassem chamando-o de ingênuo. A realidade de conquistas no campo dos negócios e das políticas externas não deveriam retroceder. Ocorre que agora, a Sra. Roussef, preocupada com os direitos humanos (parece que é o ítem número um de sua agenda), defenestra qualquer tipo ação punitiva e desconsidera a soberania das nações e das culturas. Isto é um "prato-cheio" para "tio sam" entender como um recado de apoio às suas pregações sobre o assunto e buscar uma retomada das antigas relações. Aliás, tem muitos "brasileiros" que defendem isso! Não creio que a Presidenta tenha em mente reativar o velho relacionamento de subserviência aos interesses do norte, porém, suas declarações são perigosas na medida em que apresentam semelhança com os anseios obtusos dos EUA. Parece que aí, há uma certa ingenuidade. Exemplo disso é a falta de uma posição objetiva em relação à intervenção na Líbia e permitir passivamente a criação da chamada "zona de exclusão", leia-se "zona de ataque". Não precisa ser especialista em conflitos armados para saber que a posição norte-americana sobre esse assunto já estava definida: retirar Kadafi a pretexto de violação dos direitos humanos de pessoas armadas que se insurgem contra o governo! A iminência da retomada do controle do país pelas forças do governo gerou pânico e precipitou a decisão do Conselho de Segurança do ONU! Vamos dificultar sua vida enquanto ainda há insurgentes! Espera-se que Dilma Roussef reflita um pouco mais e aproveite a estada de Obama no Brasil para deixar claro que esta nação não deseja o retorno à subserviência e, vai continuar defendendo a autodeterminação dos povos. A autonomia e o respeito perante o mundo conquistados em oito anos, não podem ser jogados no lixo. Esta nação quer soberania, relações respeitosas e paz.